quinta-feira, 25 de setembro de 2014

VENDE-SE (SEM RECHEIO, ESPERA-SE)




O poder de Sarah Jessica Parker qualquer portuguesa pode admirar: dose pequena, mas forte no tempero.
Este Setembro, Sarah e o marido Matthew Broderick voltaram a pôr à venda o apartamento que têm em Nova Iorque. Passados uns meses da primeira tentativa, fizeram um desconto de 3 milhões e daí o preço de saldo de 22 milhões de dólares. Em euros parece menos: 17,136,626 €.
São 632 metros quadrados em Greenwich Village, New York City, East 10th Street. Não faço nenhum cálculo de mensalidade, mas os juros andam baixos… Comparado com este, o apartamento típico naquela zona é uma arrecadação.
Claro que temos de dar sempre o desconto a estas fotos de revista. As casas parecem todas acabadas de sair da embalagem, ainda a cheirar a verniz.

Seja como for, esta casa é fabulosa… tirando alguns objectos que destoam e mostram todos o mesmo gosto de bricabraque de luxo: parece que foram comprados todos no mesmo dia e na mesma loja e distribuídos para taparem qualquer espaço vazio. Vamos brincar:







































Os livros da sala de estar têm o ar de terem sido arrumados conforme as cores. As gravuras são todas da mesma colecção. O pó deve cair todo num recipiente próprio. Ao menos não há nada a mais, tirando a raquete cor-de-rosa…

O desenho da sala de jantar segue a mesma linha de limpeza visual, mas… as coisas estão todas erradas. As jarras por cima da lareira parece que foram postas pela mesma ordem que tinham na loja.

As cadeiras triangulares lembram máquinas de fitness e ali só rabos de ginásio podem ser felizes. Aposto que há cadeiras normais na despensa.

As bugigangas que fazem de candeeiros ligam com o brilho do quadro que parece feito de cobre. Aliás, os quadros são de quem não gosta de pintura. Não passam de materiais com ar caro esborrachados em molduras. A coisa enrugada de cor escura é a versão chique daquelas máscaras de cabedal do Magrebe que toda a gente espetava na parede há uns anos. Não.

A mesa, de um lado, parece muito bem, em estilo forte e pesado, com a textura natural à mostra. Mas do outro lado tem aquela coisa redonda que parece uma gaveta para enfiar as crianças de berço à hora do jantar.

A cozinha, em compensação, é um palco para um grande show. Boa para largar um monte de amigos e fazer uma festa de vinho verde e marisco. Quem ficar para dormir, amanhã limpa!






































O quarto está muito bem, mas há mais um “quadro” todo enrugado e todo reluzente, e uma coisa dourada em cima da cómoda com arestas perigosas. Um espelho no quarto não faz o meu género, mas o facto de não estar à frente da cama já dá um ar de boas maneiras.

O quarto de banho é outro bom cenário. Nada a dizer. Dois lavatórios bem afastados. Numa manhã apressada, dá jeito, tal como o duche duplo. Evita-se a pergunta mais chata da intimidade: “Vais tu ou vou eu?”







































E o roupeiro! A casa tem dois, mas a Sarah querida deve despachar roupa à semana porque os cabides têm bastante espaço. Não faltam as farfalhices e as tigrezas do momento. Os sapatos são poucos e bem escolhidos, rigorosamente separados por categorias. Só me falta uma amiga assim: uma pessoa que precisa de desordem na sua vida!


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